Por que boas soluções nem sempre funcionam

Às vezes uma solução é perfeitamente lógica e ainda assim fracassa, porque nunca toca o problema real. Um olhar sobre por que resolvemos a tarefa errada e como enxergar isso com mais clareza.

19/06/2026
Por que boas soluções nem sempre funcionam
Uma boa solução começa muito antes da própria solução

Muitos de nós provavelmente já vivemos situações em que uma solução parece razoável, mas o resultado acaba sendo muito diferente do esperado.

Novas funcionalidades são adicionadas a um produto, mas os usuários continuam indo embora. Mais controle é introduzido em um negócio, e os erros continuam acontecendo. Nas metas pessoais, surge um novo plano, uma nova abordagem ou um novo sistema — e tudo volta gradualmente ao ponto de partida.

Em momentos assim, é natural procurar problemas na execução. Parece que faltou disciplina, tempo, recursos ou consistência.

Sim, isso certamente acontece. Mas existe outra possibilidade, muito mais difícil de notar. Às vezes a solução em si é perfeitamente lógica, mas o problema é que ela não toca a causa raiz. É um pensamento desconfortável, porque questiona não a qualidade da solução, mas a nossa própria compreensão da situação.

Se uma tarefa é definida incorretamente, é possível trabalhar muito e, ao mesmo tempo, afastar-se lentamente do resultado desejado. Quanto mais esforço investimos, mais difícil fica parar e fazer uma pergunta simples: estou de fato resolvendo o problema certo?

Talvez seja por isso que muitos problemas vivem muito mais do que deveriam. Frequentemente confundimos sintomas com causas e interpretações com fatos. Tratamos a primeira explicação como o quadro completo. Isso não acontece por falta de inteligência ou experiência. Se algo, é o contrário. Quanto mais complexo um problema se torna, mais fácil é preencher as lacunas com nossas próprias suposições.

Nos últimos anos, eu me vi voltando repetidamente aos temas do pensamento, da tomada de decisão e do alcance de metas. Por meio de IA, livros, artigos e várias abordagens práticas, acumulei muito material. Ele deu uma perspectiva ampla, mas não respondeu à pergunta principal.

A pergunta que ficou comigo não era onde encontrar mais um método. Métodos já existem de sobra. A verdadeira pergunta era outra: como saber qual ferramenta é necessária agora, para este problema específico e esta situação concreta?

Em algum momento, voltei à TRIZ. Pareceu-me que ela poderia servir como um núcleo forte para esse tipo de trabalho: não como uma coleção de conselhos, mas como um jeito de analisar problemas por meio de contradições, recursos disponíveis e o custo real de uma solução.

Combinada com pensamento sistêmico, vieses cognitivos, Jobs To Be Done, Lean Startup e outras abordagens práticas, ela se torna um framework útil para trabalhar problemas complexos e aparentemente sem saída.

Foi assim que nasceu o livro "Sede de realidade". É um livro sobre ver os problemas com mais clareza, encontrar soluções mais fortes e agir sem autoengano. Ele explora as contradições que nos seguram, os sistemas que criam consequências inesperadas, as perguntas que importam mais do que respostas prontas, e por que uma boa solução começa muito antes da própria solução.

O livro ainda está sendo escrito. Terá 12 capítulos, e os primeiros 8 já estão disponíveis no Leanpub:

Ler Thirst for Reality no Leanpub